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A maneira de falar com as pessoas que apresentam distúrbios
auditivos não é a mesma que se emprega quando se fala
com pessoas de audição normal. Existem cuidados que
não podem ser esquecidos quando se fala com quem tem
dificuldades para ouvir ou compreender, estando ou não
usando aparelhos auditivos, também conhecidos como próteses
auditivas.
Como a surdez é um defeito invisível, costuma-se não
perceber a importância da audição em nossas vidas, a
não ser quando começa a faltar a nós próprios. Observa-se,
com muita freqüência, a pouca tolerância e a pouca consideração
para com os portadores de deficiência
auditiva, ao contrário do que vemos ocorrer em relação
a outros deficientes, para com os quais a manifestação
de solidariedade é bem mais notória. Na realidade, não
se sabe ou se esquece que a audição é o sentido que
mais nos coloca dentro do mundo e que a omunicação humana
é um bem de valor inestimável.
Como
falar
Antes de falar com a pessoa que ouve menos, certifique-se
da sua atenção,
simplesmente pronunciando seu nome ou fazendo algum
sinal para que se volte para você. Posicione-se de frente.
As pessoas que têm problemas de audição aprendem, muitas
vezes inconscientemente, em grau maior ou menor, a ler
nos lábios e na face de quem está falando. Elas podem
não ouvir todas as sílabas que foram pronunciadas e
por isso precisam se socorrer de outros meios para entender
o que foi dito. É muito importante que possam combinar
a audição com aobservação dos lábios e face da pessoa
que fala, para que obtenham uma comunicação mais efetiva.
Procure posicionar-se no ambiente com o foco de luz
voltado para o seu próprio rosto, quando você estiver
falando; isso facilitará leitura orofacial da pessoa.
Uma luz brilhante ou janela aberta à luz do dia, incidindo
nos olhos da pessoa com perda auditiva, dificultam a
visibilidade das expressões. Fale em tom de conversação
normal para quem está usando aparelho auditivo. Evite
a tendência natural de elevar muito a voz ou gritar,
porque isso só vai piorar a compreensão do que você
está dizendo. Se o indivíduo não está
usando aparelho auditivo, torna-se necessário falar
um pouco acima do normal,
mas nunca gritar. Fale devagar. A boa dicção é fundamental,
mas o movimento dos lábios não deve ser excessivo. Uma
pronúncia exagerada das palavras apenas trará confusão
e/ou reduzirá o nível de compreensão. O importante para
ele é
acompanhar a conversação no seu conjunto, procurando
entendê-la à medida que vai se desenvolvendo. Fale claro,
não coloque a mão diante dos lábios. Procure ficar mais
próximo, numa distância de até dois metros.
Reduza os ruídos de fundo, quando possível, desligando,
por exemplo, o rádio ou a TV. Se o ruído de fundo não
puder ser reduzido, mova-se para uma área mais
silenciosa. Se você observar que ele está inseguro sobre
o que foi dito, repita a
exposição usando palavras diferentes ao invés de repetir
palavra por palavra. Facilite a comunicação com sinais
ou através da escrita. Procure integrar o deficiente
auditivo na conversação. Ele freqüentemente tende a
isolar-se socialmente com receio de situações embaraçosas,
tais como, entender
palavras diferentes, não poder acompanhar a conversa,
pedir para repetir ou de fazer comentários inadequados,
dedique-lhe atenção. Faça-o participar.
Arnaldo Linden - Médico Otologista
Luciana Cigana Facchini - Fonoaudióloga

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